A estratégia de Cavaco Silva e António José Seguro é compensar a dureza das medidas que ambos estão convencidos que o governo tem de tomar, contrariando-as. A defender os funcionários públicos ou os bancos, quando o governo dá uma no cravo, aparecem eles a dar uma na ferradura, garantindo que em breve, estaremos todos devidamente ferrados. Depois o governo bate com o pé: tem de ser! Cavaco apressa-se a desistir e Seguro lamenta: é uma pena...
Para não deixar dúvidas quanto à sua delicada posição, Seguro disse que não fará oposição à grega e anunciou a abstenção do PS ao orçamento de estado da maioria. Seguro caracterizou esta abstenção como violenta! Suponho que uma abstenção violenta seja como uma tensa e forte contenção, daquelas que, se nos descuidamos, começamos a dar flatos para dentro.
Livre da votação do orçamento, António José Seguro suplicou a Passos que se abstivesse violentamente de cortar um dos subsídios, recuando assim em metade da medida mais dura anunciada por um governo nas últimas décadas. Numa primeira reacção, Miguel Relvas disse logo que o governo estava aberto a todas as propostas, ao mesmo tempo que se continha violentamente para não rir. Até flatular para dentro.
Esta estratégia que Seguro aprendeu com Cavaco, visa responder aos anseios da rua, desde logo aos enrascados/indignados/occupy-walstreetados que tomaram de assalto a escadaria da Assembleia da República e que ainda controlam três degraus e a juba de um leão. Seguro visa controlar a rua apresentando-se como um copinho de leite a que dá vontade de ignorar violentamente. E bem. Pois como toda a gente sabe, a rua subjuga-se sempre a líderes que se contêm violentamente, como Jesus Cristo, Gandhi ou Pinto da Costa. Embora Pinto da Costa, ao pé das namoradas, não costume conter-se.
É uma estratégia vitoriosa, ou não soubéssemos nós de antemão que o seguro morreu de velho. Pena é que o líder do PS não possa servir aos portugueses como uma espécie de credit default swap, ou um seguro contra o incumprimento do estado. E não é por não querer, que Seguro não garante a reposição de parte dos subsídios cortados pelo governo. Não pode mesmo. O Partido Socialista está completamente endividado e com um grave défice mensal. Tudo por causa da tróica que fizeram com o PSD no poleiro.
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